Rio 2016: uma questão de dignidade

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Vista do Parque Olímpico

O Rio foi tomado pela TPO – Tensão Pré-Olímpica. Faltando poucos dias para o início do maior evento esportivo do mundo, parece que bateu no carioca aquela irritação, aquele mal humor de quem está incomodado faz tempo. Está doendo. E não é mimimi! Nunca é. Só nós sabemos que tem muita coisa errada, que não ficou pronta, que foi feita nas coxas. Ainda tem a crise econômica do País que embrulhou a Caixa de Pandora com um cruel nó cego e com a gente dentro.

Mas agora, querendo ou não, chegamos naquele momento de decidir se vamos ter razão ou ser feliz. Eu, decididamente, quero ser feliz. E isso necessariamente implica em passarmos por cima das dificuldades que se apresentam, assumirmos nossa parcela de culpa e fazer dar certo.

Se enganam os 56% dos cariocas que responderam ao estudo feito pela ONG Rio Como Vamos que a solução é se mudar da cidade. E mal pergunte, onde pretendem ir? Em um mundo cada vez mais intolerante com o problema alheio, onde pensam que poderiam ser bem recebidos? Pensam e agem como se não tivessem responsabilidade pelo o que se transformou o Rio. Ledo engano. A responsabilidade, em última análise, é do cidadão. Sempre. Seja porque não sabe escolher seus representantes, seja porque não faz a sua parte. Ou a Lagoa, a Baía da Guanabara se poluíram sozinhas?

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Nova orla no Distrito Naval. Belo passeio para um entardecer.

Sempre escutei que o Rio era a caixa de ressonância do Brasil. E é. O que acontece aqui não é diferente do que acontece em outras cidades no Brasil, mas aqui grita mais alto. Grita para o mundo. As Olimpíadas é um megafone a mais e bem possante. E o que não falta é problema para reverberar, alimentando as mídias sociais, os ‘haters’, que se proliferam aos borbotões no universo virtual.

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Museu do Amanhã no Pier da Praça Mauá

Não se trata, em absoluto, de colocar lentes cor de rosa, mas também não reconhecer que a cidade melhorou é uma injustiça. O cidadão ganhou novos espaços, uma orla novinha em pleno Centro da cidade, que margeia todo o Distrito Naval e vai até o Museu do Amanhã e que passou módicos 200 anos escondida dos nossos olhos. Uma nova Praça Mauá impera, majestosa. Nos livramos do monstrengo da Perimetral, o que abriu espaço para a revitalização da área portuária. Muita coisa bacana vai surgir por ali: hotéis, um aquário gigantesco… Tudo em uma área que era marginalizada.

E a Marina da Glória que depois de 30 anos passou a integrar o Parque do Flamengo numa outra nova orla aberta a apreciação do público e não apenas dos abastados proprietários de barcos? O parque de Madureira, com equipamentos de qualidade, levou lazer e entretenimento para o subúrbio, assim como o Parque Radical de Canoagem Slalon, em Deodoro – um piscinão que a população tomou conta e já faz uso.

Dia desses estreei o VLT. Achei fantástico! Se o BRT não é o que sonhamos de melhor solução para a mobilidade, é o que temos e se mostrou eficiente em grandes eventos como o Rock In Rio, quando experimentei. O Metrô, mesmo com todos os atrasos, está saindo. Assim como a Avenida Brasil. Para alívio geral o bode já, já sai da sala.  Os tapumes estão caindo e uma nova cidade está nascendo. É para turista ver? Também. Mas vai ficar. É o tal legado. Só não enxerga quem não está disposto. E nesse momento tão sensível, ajuda mais quem não atrapalha.

CarioquinhaViajandãoAproveite os feriados olímpicos e as férias da criançada para conhecer mais seu estado e contribuir com a mobilidade urbana. Tem muita coisa boa para aproveitar e com desconto para moradores e nativos do Rio no Carioquinha Viajandão. É uma oportunidade! Por que não fazer uso? A cidade continuará sendo dos cariocas, mas vamos mostrar que somos bons anfitriões, dividir nosso espaço e deixar as coisas funcionarem direito.

Nenhuma cidade passou por uma Olimpíadas impunemente. Algumas conseguiram contabilizar ganhos positivos; outras, só prejuízos! No nosso caso, apesar dos impactos negativos na já combalida economia do estado, do desperdício, da má gestão pública e da corrupção, temos, bem ou mal, um legado e a obrigação de abraçar os jogos como uma questão de orgulho nacional.  Agora essa é uma questão de vida ou morte perante a comunidade mundial; de salvar nossa dignidade.

Depois que passar esse momento e os olhos do mundo se voltarem novamente para os seus inúmeros umbigos, a gente senta e lava a roupa suja.

One Comment

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  1. Mario
    Mario

    Nota 10. Exatamente o que penso.

    15 de julho de 2016 at 18:31 Log in to reply.

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